terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O álbum é dos noivos

Meu primeiro contato mais próximo com fotografia de casamentos talvez tenha sido o casamento de minha irmã mais velha. Eu tinha apenas nove anos de idade, mas me lembro muito bem do fotógrafo transitando pela igreja com sua Pentax M42 e o inseparável flash Frata - operado com o típico movimento de pulso.

Outra coisa de que me lembro bem naquele evento foi a folha de contato (folha de papel fotográfico com as miniaturas das fotos em tamanho de negativo), com um pouco mais de cem fotos, entregue à minha irmã alguns dias após o casamento, para que ela escolhesse as vinte fotos que iriam para o álbum.

Lembro-me que as fotos escolhidas para o álbum de minha irmã representavam uma sequência de acontecimentos que era comum a todos os demais álbuns daquela época. Meu irmão se casou no ano seguinte e minha outra irmã três anos depois, e a história fotográfica dos casamentos foi mais ou menos a mesma.

Passadas duas décadas, a fotografia de casamentos já não tem quase nenhuma relação com o trabalho feito naquela época. Hoje são capturadas centenas - às vezes milhares - de fotos, com altíssima qualidade. Fazem-se álbuns magníficos, com muitas páginas, diagramação, abertura panorâmica, etc.

Muita coisa mudou, mas o critério de seleção das fotos para o álbum não evoluiu na mesma medida.

Por incrível que pareça, é muito comum ver álbuns de casamento que, tirando a perfumaria atual, ainda mantêm o mesmo protocolo dos anos oitenta. O que acaba lançando por terra toda a vantagem que a tecnologia colocou nas mãos do fotógrafo. O advento do digital liberou, de forma definitiva, a criatividade do fotógrafo, permitindo-o "brincar" mais e sair do protocolo, produzindo fotos espontâneas, com grande cunho artístico, que congelam a emoção e denotam o movimento, mas essas fotos acabam cedendo o lugar no álbum para a foto posada com a tia Phulana, que veio lá de longe para assistir o casamento. Aí a noiva diz: "Ah... mas eu não posso deixar de colocar uma foto com a tia Phulana! Ela veio lá de Cabrobró do Rocha, carregando o peso de seus oitenta anos, só pra ver meu casamento!"

Não estou dizendo que a viagem da tia Phulana não mereça consideração. Claro que merece! Mas o álbum de seu casamento é o registro perpétuo de um momento ímpar em sua vida! E você tem poucas páginas para contar essa história! Já pensou se a noiva tem oito tias de Cabrobró?

Outro problema em usar o álbum do seu casamento como "homenagem" é que você não vai conseguir homenagear todo mundo. Se a tia Sicrana vir a foto da tia Phulana no álbum, e a dela não estiver lá, ela não vai nem querer saber se a tia Phulana veio de Cabrobró e ela veio ali de Copacabana. É possível que ela diga: "Que falta de consideração! A Phulana fica lá em Cabrobró e nem quer saber de ninguém aqui, aí ela vem para um comes-e-bebes e ainda vai para o álbum!"

Neste caso, se nem a tia Phulana, nem a Sicrana, nem a Beltrana estiverem no álbum, ninguém vai brigar. Certo?

O álbum de casamento tem que ter como foco principal o casal. Os momentos do casal, a alegria do casal, as emoções do casal. Eles devem estar em primeiro plano. Os demais convidados, parentes, familiares, podem (e devem) aparecer, mas não dever roubar a cena. Eles são coadjuvantes nessa história.

Sempre que recebemos a seleção de fotos de alguma de nossas clientes, procuramos orientá-la desta forma. Nós trabalhamos entregando sempre todas as fotos do evento em alta resolução. Assim, aconselhamos às clientes que ampliem as fotos de parentes e façam um álbum convencional de fotos. A tia Phulana, quando vir as fotos (se você for lá em Cabrobró mostrar, já que, segundo a tia Sicrana, ela só vem quando tem comes-e-bebes), vai entender imediatamente que no álbum dos noivos estão os momentos dos noivos e que, no outro álbum estão as fotos das pessoas queridas. Sem crises.

Há muitas outras formas de gerenciar essa escolha, mas, em qualquer uma delas, a noiva tem que lembrar que o álbum é o registro do seu dia especial, não uma prestação de contas aos parentes e amigos.

Se vocês tiverem qualquer dúvida, comentário ou crítica com relação a este post, deixem aqui sua mensagem e vamos trocar idéias.

Abraços!

4 comentários:

  1. Perfeito esse post,assino em baixo
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  2. Sábado estava com um casal, ajudando a escolher as fotos para o álbum, e disse a mesmíssima coisa! Mas muitos (tanto fotógrafos quanto clientes) ainda tem essa idéia de ter que "colocar" todo mundo no álbum.
    Casei há dois anos, e meu álbum só tem fotos de quem realmente é importante para nossa recordação. E é isso que eu passo para meus clientes hoje.
    Abs!!!
    Samuel Marcondes
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  3. Carla Elvas de LimaFeb 9, 2010 02:17 AM
    Max...

    concordo totalmente com vc.

    na época do meu casamento... apesar de já ter fechado com a PatFig, estava corredo com uma amiga tb noiva, a procura de fotógrafos.

    Conhecemos um no Centro do Rio de Janeiro... que dizia a seguinte coisa. A NOIVA monta o álbum com a gente, e coloca qtas fotos quiser.

    Esse era o diferencial deles. ai, ai... era de tão mal gosto, mais de 20 mini-fotos numa mesma página, só para não deixar alguma de fora.

    Sou daquele ditado... "O menos é mais!"
    O álbum tem que contar a história dos noivos naquele dia tão especial.

    As outras milhares de fotos... ficam ótimas no álbum menor, com qtas fotos os noivos quiserem revelar.

    Max... apoiadíssimo!!!
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  4. Finalmente consegui focar a melhor maneira de escolher as fotos do meu álbum de casamento! Minha mãe dizia que deveria ter fotos dos padrinhos no altar, cumprimentos, entrando e saindo da igreja, na mesa do bolo! E nós seríamos coadjuvantes do nosso grande dia! Obrigada pelo esclarecimento!
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